Terça-feira, 27 de outubro de 2026
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ACOLHIMENTO SOCIAL

Quanto custa o acolhimento social de uma pessoa em situação de rua em Jundiaí?

Levantamento do Diário de Jundiaí identificou 102 vagas regulares; custo equivalente varia de R$ 81,12 a R$ 146,41 por vaga/dia e contratos somam cerca de R$ 4,8 milhões por ano.

Jaime Lima
· Jundiaí
Fotógrafos PMJ

A Prefeitura de Jundiaí mantém, por meio de parcerias com organizações da sociedade civil, 102 vagas regulares destinadas ao acolhimento de pessoas em situação de rua. Levantamento realizado pelo Diário de Jundiaí mostra que os valores anuais de referência para manutenção dessas vagas somam aproximadamente R$ 4,84 milhões.

O custo varia de acordo com a entidade e, principalmente, com a modalidade do serviço. Considerando o valor anual da parceria, o número de vagas e os dias do período, a diária equivalente por vaga varia de R$ 81,12 a R$ 146,41.

A maior diária equivalente encontrada no levantamento é a da Casa de Passagem, administrada pelo Serviço de Obras Sociais (SOS): aproximadamente R$ 146,41 por vaga/dia. A menor é a do serviço de República da Casa Santa Marta, com aproximadamente R$ 81,12.

Quanto custa cada vaga

O levantamento identificou os seguintes valores anuais e custos equivalentes:

Casa de Passagem – SOS
Vagas: 32
Valor anual: R$ 1.710.000,00
Valor por vaga/mês: R$ 4.453,13
Diária equivalente: R$ 146,41

Casa Santa Marta – Abrigo
Vagas: 30
Valor anual: R$ 1.481.619,26
Valor por vaga/mês: R$ 4.115,61
Diária equivalente: R$ 135,31

Hácali – Abrigo
Vagas: 30
Valor anual: R$ 1.350.000,00
Valor por vaga/mês: R$ 3.750,00
Diária equivalente: R$ 123,29

Casa Santa Marta – República
Vagas: 10
Valor anual: R$ 296.106,58
Valor por vaga/mês: R$ 2.467,55
Diária equivalente: R$ 81,12

TOTAL DOS QUATRO SERVIÇOS
Vagas regulares: 102
Valor anual de referência: R$ 4.837.725,84

Em média, considerando os quatro serviços e ponderando pelo número de vagas, o investimento equivale a aproximadamente R$ 3.952 por vaga/mês.

Casa de Passagem tem maior valor por vaga

A Casa de Passagem do SOS possui 32 vagas regulares. O plano de trabalho da parceria prevê repasses de R$ 142,5 mil mensais, equivalentes a R$ 1,71 milhão em 12 meses.

Dividido pelas 32 vagas, o valor representa aproximadamente R$ 4.453,13 mensais por vaga, ou R$ 146,41 por dia.

O serviço, porém, não consiste apenas na disponibilização de uma cama. O plano de trabalho prevê acolhimento, alimentação, higiene, vestuário, acompanhamento técnico, elaboração do Plano Individual de Atendimento (PIA), encaminhamentos para saúde e assistência social, fortalecimento de vínculos e ações voltadas à reinserção profissional.

Uma parcela expressiva dos recursos é destinada à equipe responsável pelo funcionamento do serviço.

No aditivo analisado pelo Diário de Jundiaí, referente a um período de 18 meses, foram previstos R$ 1,55 milhão em salários e ordenados, dos quais aproximadamente R$ 1,48 milhão têm como fonte recursos municipais.

Os profissionais são contratados pelo SOS e não são servidores da Prefeitura. O Município financia parte dos salários, encargos e demais despesas por meio da parceria firmada para a execução do serviço.

Santa Marta: R$ 135 por vaga/dia

O Acolhimento Institucional da Casa Santa Marta possui 30 vagas e previsão de R$ 1.481.619,26 em recursos públicos, equivalente a aproximadamente R$ 4.115,61 por vaga/mês ou R$ 135,31 por vaga/dia.

O plano da entidade mostra uma estrutura de custos ampla. Somente para recursos humanos estão previstos cerca de R$ 768 mil, além de vale-transporte, FGTS, alimentação, aluguel, combustível, material de higiene e limpeza, manutenção, nutricionista, oficinas e outros gastos.

O aluguel do imóvel utilizado pelo acolhimento, por exemplo, está previsto em R$ 156 mil anuais, ou R$ 13 mil mensais. A alimentação recebe recursos públicos e também é complementada por outras fontes da entidade.

O relatório de atividades de 2025 registrou 9.355 pernoites regulares no acolhimento.

Como 30 vagas disponíveis durante 365 dias representam capacidade teórica de 10.950 pernoites, isso corresponde a uma ocupação equivalente de aproximadamente 85,4% naquele ano.

Hácali: contrato vai até setembro de 2026

A Hácali mantém 30 vagas regulares de acolhimento. O Termo Aditivo II ao Termo de Colaboração nº 01/2023, assinado em agosto de 2025, prorrogou a parceria por 12 meses, de 1º de outubro de 2025 a 30 de setembro de 2026.

O valor previsto para o período é de R$ 1.350.000, equivalente a R$ 112.500 por mês.

Dividido pelas 30 vagas, representa R$ 3.750 por vaga/mês, ou aproximadamente R$ 123,29 por vaga/dia.

Além do valor de R$ 1,35 milhão referente ao novo período, o aditivo autorizou a utilização de R$ 180.665,30 de saldo remanescente da parceria anterior.

Esse saldo não foi somado ao valor anual utilizado pelo Diário de Jundiaí para calcular a diária equivalente, por não representar um novo repasse anual.

Entre os três serviços de acolhimento institucional e Casa de Passagem analisados, a Hácali apresenta o menor valor contratual equivalente por vaga.

Por que a República custa menos?

O menor valor encontrado no levantamento está na República mantida pela Casa Santa Marta.

São dez vagas e aproximadamente R$ 296,1 mil em recursos públicos, equivalentes a R$ 2.467,55 por vaga/mês ou cerca de R$ 81,12 por dia.

A diferença, entretanto, precisa ser analisada considerando a natureza do serviço.

A República é destinada a pessoas em fase de reinserção social e trabalha com princípios de autonomia e autogestão.

Entre os objetivos previstos está estimular a participação dos próprios moradores nas tarefas da residência e prepará-los para alcançar maior independência e autossustentação.

A estrutura também é menor. O imóvel possui características de uma residência, com três quartos, sala, cozinha, banheiro e dez vagas.

A diferença aparece também na estrutura de pessoal.

Em 2025, foram registrados cerca de R$ 153 mil em salários na República. Também aparecem despesas com aluguel, alimentação, vale-transporte, FGTS, água, energia, gás, higiene e outros itens.

Por isso, comparar diretamente os R$ 81 da República com os R$ 146 da Casa de Passagem, sem considerar as características distintas das modalidades, poderia levar a uma conclusão equivocada.

Diferença chega a R$ 65 por dia

Entre os extremos do levantamento há uma diferença de aproximadamente R$ 65,29 por vaga/dia.

Considerando apenas as três estruturas de acolhimento mais intensivo — Casa de Passagem, Santa Marta e Hácali — a diferença diminui.

A Casa de Passagem apresenta diária equivalente de R$ 146,41; a Santa Marta, R$ 135,31; e a Hácali, R$ 123,29.

Entre a maior e a menor dessas três, a diferença é de aproximadamente R$ 23,12 por vaga/dia.

R$ 4,8 milhões para 102 vagas

Somados, os quatro serviços representam R$ 4.837.725,84 em valores anuais de referência para manutenção de 102 vagas regulares de acolhimento.

O levantamento não inclui despesas de outras políticas destinadas à população em situação de rua, como abordagem social, Centro Pop, Consultório na Rua ou investimentos em obras públicas.

Também não entram no número de 102 vagas as ampliações temporárias realizadas durante períodos de baixas temperaturas, como na Operação Noites Frias.

O objetivo do levantamento é exclusivamente dimensionar os recursos destinados às vagas regulares de acolhimento analisadas.

Como foi feito o cálculo

A chamada “diária” utilizada nesta reportagem é uma diária equivalente e não o valor que a Prefeitura necessariamente paga cada vez que uma pessoa dorme em uma das unidades.

O cálculo considera o valor anual de referência da parceria, dividido pelo número de vagas contratadas e pelos dias correspondentes ao período.

Dessa forma, uma vaga contratada que eventualmente permaneça desocupada por uma noite continua fazendo parte de uma estrutura que mantém profissionais, imóvel, alimentação, contas, manutenção e atendimento técnico.

Por esse motivo, os valores de R$ 81,12 a R$ 146,41 devem ser entendidos como o custo contratual equivalente da disponibilidade da vaga e de toda a estrutura do serviço, e não simplesmente como o preço de uma cama ou de um único pernoite.

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